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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Inovação é a página em branco


Fonte: HSM Online

Em 1936, Chaplin atuou, dirigiu e produziu uma fantástica crítica ao mundo industrial, “Tempos Modernos”. Uma sátira a tudo o que estava acontecendo. Muitos já entenderam a destruição causada pela onda industrial no meio-ambiente e estão convencidos que teremos que redesenhar tudo novamente para criar um modelo de vida mais amigo do planeta em que vivemos. Porém, poucos ainda se deram conta do estrago que este modelo de pensar industrial causou em nossas mentes. O alerta dado por Chaplin parece que não foi bem entendido.

Para ganhar escala, criamos o conceito da linha de produção, da seqüência e dos processos. Fomos condicionados na ideia de “compartimentalizar” as coisas, ou seja, de tratar com especialidade cada detalhe das partes.

Fomos treinados para fazer a nossa parte e depois ‘passar o bastão’ para os outros. Também fomos muito eficientes em transmitir este modo de pensar. Criamos um sistema de educação massificado, com pouca, ou quase nenhuma, atenção para as diferenças de cada indivíduo.
E como ficamos cegamente apaixonados pela ideia do medir (estávamos sempre buscando otimizar o tempo de cada processo). Também criamos um rígido sistema de avaliação, para ‘quantificar’ o quanto esta maneira de pensar estava sendo assimilada pelos nossos estudantes.
E mais, para reduzir os possíveis desvios, criamos métodos baseados em formulários, os famosos ‘templates’, onde até pessoas menos capacitadas pudessem realizar as tarefas necessárias em seus trabalhos.

Este jeito de pensar industrial também nos trouxe vários benefícios. A especialização permitiu uma revolução tecnológica que nos ajudou a evoluir a quantidade e qualidade em vários aspectos de nossas vidas. Por exemplo, conseguimos hoje alimentar mais e mais pessoas, nossa expectativa de vida dobrou e descobrimos a cura para várias doenças que ameaçavam nossa existência. Porém, o efeito de escala e o alto grau de especialização parecem ter chegado a um limite crítico. A dose do remédio parece ter sido alta demais e estamos sofrendo vários efeitos colaterais.

Por exemplo, perdemos o costume com o todo. Atualmente, muitos pacientes têm problemas em seus diagnósticos porque os especialistas fornecem pareceres corretos quando vistos de forma isolada, mas errados quando vistos de forma integrada.

Burocratizamos tanto nosso pensar que a muito do que acontece em nossos escritórios se resume a preencher caixinhas. Iludidos, transferimos a confiança e o conhecimento sobre nossas atividades das pessoas para os processos. Vale lembrar que anteriormente não era assim. Todo conhecimento estava nas pessoas.

Antes da revolução industrial, os “Leonardos Da Vinci” da época eram múltiplos e não estavam tão algemados por processos. Tratavam o conhecimento das artes, ciência e tecnologia de forma integrada. Até hoje, a base do conhecimento das comunidades indígenas está nos “Pagés”, que passam as informações para as futuras gerações. Nosso sistema educacional ficou tão preocupado em medir os resultados que esqueceu de motivar as pessoas.

Assim, ensinamos nossos alunos a passarem em testes e estudarem por notas, e não ‘apenas’ pelo conhecimento. Parece que estamos estudando cada vez mais por notas e trabalhando cada vez mais por dinheiro, e não por que estamos curiosos ou pelo que gostamos de fazer.
Nossa comunicação massificada e superficial cria moda sobre novos termos a cada dia, e caímos em uma sopa de palavras onde pouquíssimos são críticos o suficiente para escapar. E assim, nos sentimos perdidos.

A necessidade de rever este jeito de pensar está ficando cada vez mais clara, tanto para indivíduos quanto para organizações. Diante do atual grau de competição, estamos todos sendo pressionados a inovar e ainda nos perguntamos: por que não estamos conseguindo?

Nossos burocratas acham que dá para tratar inovação da mesma forma que tratamos a qualidade. Porém, qualidade está ligada a eficiência operacional. Todas as variáveis são conhecidas e passíveis de serem controladas. Qualidade tem a ver com o presente. Já inovação, envolve a exploração do futuro na convivência com o desconhecido e na construção do novo.

A verdade é que nos nivelamos por baixo. O pensar industrial nos deixou familiarizados com a ordem e o controle, mas nos tirou a familiaridade do caos e do orgânico. Mas, existe uma beleza no orgânico, fluido e caótico que não podemos ignorar. Temos vários exemplos em nosso dia a dia. Por exemplo, a Wikipédia, que através de uma plataforma de interação conseguiu a difícil tarefa de organizar de forma orgânica o conhecimento em uma fantástica enciclopédia, desafio que gigantes da informática tentaram, mas nunca conseguiram ter sucesso.

Falta acordarmos e fazermos uma radical mudança em nosso modo de pensar. Temos que reaprender a ter prazer em navegar no desconhecido. Todos nós temos o potencial de sermos “Da Vincis” e “Einsteins”. O problema é que não acreditamos mais nisso.
Precisamos de um novo renascimento. Precisamos desaprender muito do que nos foi ensinado e reaprender a curtir a página em branco. Por tudo isso, estou convencido que, intelectualmente, inovação significa conforto com a página em branco.

Charles Bezerra

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Innovation Challenge Brasil chega ao fim


A competição de Inovação Corporativa Innovation Challenge - edição brasileira - chegou ao fim no dia 18 de novembro. As 6 equipes finalistas apresentaram pessoalmente seus trabalhos para a banca de jurados (incluso o presidente da Dpaschoal, a empresa que patrocinou a 2ª fase do concurso).

As equipes se empenharam muito na apresentação e na inovação das propostas. Em 1° lugar ficou a equipe da FGV-RJ, em 2° ficou a equipe da COPPEAD-UFRJ e em terceiro a equipe da FDC.

Esta foi a segunda edição brasileira coordenada pelo Insper e foi um grande prazer ter participado como juíza.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Livro novo ou usado?

A Livraria Cultura passou a adotar o mesmo modelo da Amazon para venda de livros novos e usados.
Antes a Cultura realizava a venda apenas de livros novos. Hoje fui comprar um livro e o mesmo foi ofertado novo por R$44,90 e o usado por R$22,45. Isto é, exatamente metade do preço.

A política diz que os livros podem ser recomprados pelo programa Mais Leitores com algumas regras. A Livraria Cultura garante que os livros não serão entregues rasgados, rasurados, amassados, grifados, sujos, assinados, com dedicatórias, autografados, com textos ilegíveis e/ou com páginas soltas ou faltantes.

Muito bacana a iniciativa da Cultura. Atitude sustentável e inovadora.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O velho e o novo no design


Não é de hoje que os designers estão utilizando coisas do passado para inovar...

Fonte: Revista Exame

A cada ano, os celulares evoluem, incorporando novos recursos tecnológicos. Mas o designer Raymond Bessemer resolveu inovar, inserindo o passado no presente. Esse é o Jot, uma espécie de celular que substitui o teclado digital pelo giratório dos telefones antigos.
A princípio, a ideia pode soar insólita e do outro mundo, mas o projeto foi desenvolvido para a Samsung. O designer incluiu no projeto um touchpad e uma caneta, já prevendo que não seria muito fácil mandar uma mensagem de texto através do teclado giratório.
De acordo com um blog de design estrangeiro, que divulgou a inovação, o celular possui um display OLED capacitivo e foi projetado para ser produzido em 2015. Resta, agora, aguardar para ver se esse novo tipo de celular vai realmente para frente e se vai encontrar público no mercado.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Inovação no marketing

Fonte: Revista Época Negócios

Decifre o que o consumidor deseja
O setor varejista aposta no neuromarketing para entender o comportamento do consumidor no ponto de venda

O ponto de venda virou um grande Big Brother. Indústria e varejo acompanham cuidadosamente o comportamento do consumidor neste local. Não é à toa. De acordo com levantamento do instituto Popai, especializado em vendas no varejo, é neste local que cerca de 70% das decisões de compra são tomadas. O que faz com que o comprador escolha o produto X e não o Y? Preço, qualidade ou marca?

Para tentar responder a essas perguntas e entender as reações do consumidor no processo de compra, o setor pediu ajuda à neurociência. Aliada ao estudo comportamental dos consumidores, a ciência se transformou em neuromarketing, técnica utilizada por grandes empresas como Unilever e Procter & Gamble nos Estados Unidos. “Há muitos mistérios no processo de decisão de compra que as pesquisas qualitativas podem prever”, afirma Michael Brammer, professor de Neuroimagem do Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres.
Estudioso do tema a mais de 12 anos, Brammer acredita que as respostas dos consumidores em pesquisas qualitativas quase nunca mostram os reais desejos em relação aos produtos que querem comprar. Para decifrar a mente do consumidor, segundo o pesquisador, é fundamental usar ferramentas de pesquisa combinadas. “A mente humana é extremamente complexa e não é um único instrumento que consegue ter respostas definitivas”, afirma o cientista inglês, que esteve no Brasil para um workshop sobre inteligência de compra realizado no Insper, com patrocínio da agência de promoções especializada em varejo Ponto de Criação.
O neuromarketing utiliza técnicas de imagens cerebrais feitas por ressonância magnética para tentar entender como o cérebro reage quando exposto a mensagens relacionadas a experiência de consumo, identificando as zonas do cérebro estimuladas. Para chegar a este resultado, de acordo com Brammer, os aparelhos fazem esse trabalho, conseguindo traçar as atividades cerebrais, a formação de sinapses e as reações.

Entre as vantagens, está a possibilidade de descobrir o que uma campanha de marketing pode despertar nas pessoas e como isso pode influenciar na hora da compra. De acordo com o pesquisador, essa ciência pode permitir que uma empresa elabore melhor suas ações e instigue as pessoas. “É uma técnica que pode identificar o que as pessoas preferem de forma inconsciente ”, afirma o estudioso. “Com isso, a indústria e o varejo podem cruzar todas as informações disponíveis e fazer com que as escolhas fiquem mais fáceis”. A neurociência tem mostrado que emoção não se separa da razão. “É estranho compreender o porquê do mercado publicitário separar as campanhas institucionais, que trazem a emoção, das campanhas de varejo, voltadas ao racional para promover vendas", diz Brammer. “Elas devem ser interligadas para surtir efeito”. O professor afirma que o neuromarketing ainda encontra alguns entraves para a adoção.
O principal ainda é o preço. Ele estima que um projeto que une a neurociência com o comportamento do consumidor pode custar a partir de US$ 60.000. Além disso, há a impossibilidade de prever as mudanças de comportamento ou mesmo de estabelecer um padrão perfeito para determinadas ações de marketing, uma vez que uma série de fatores imprevisíveis influencia o resultado final. “Vale como um indicativo para entender a complexidade da relação entre a empresa e o consumidor”.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Innovation Challenge


O Innovation Challenge é a principal competição de inovação corporativa do mundo e em 2010 acontece a 2a edição brasileira.

A competição envolve grandes marcas, grandes empresas e alunos de MBA e pós-graduação.

As empresas selecionadas atuam como patrocinadoras do evento e colocam desafios reais dos seus negócios para serem trabalhados pelos competidores. Em grupos de até 05 alunos, os competidores tem poucas semanas para elaborarem as mais inovadoras soluções sobre temas e áreas diversas.

A capacidade de planejamento, criatividade, originalidade e trabalho em grupo vão definir os melhores trabalhos que serão julgados por especialistas em inovação, executivos do mercado e das empresas patrocinadoras.
A edição brasileira foi idelizada pelo Insper (IBMEC). As inscrições vão até o dia 20/08.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Escola de Inverno

Estou divulgando este evento que achei muito interessante, tanto pela organização como pelos conteúdos.

Chama-se Hub Escola de Inverno e é organizada pelo The Hub - um espaço compartilhado por empreendedores e negócios sociais.

Não é necessário participar do evento inteiro, você pode comprar "horas" de participação. Os temas variam de Sustentabilidade a Criatividade e Inovação.

Ocorre de 12 de julho a 01 de agosto em São Paulo. Os preços são acessíveis.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

As crianças e a sustentabilidade

Estive na semana passada no CPSI 2010 – uma conferência de Criatividade e Inovação que acontece em Buffalo/NY há mais de 50 anos.

Além da conferência para os adultos, acontece na mesma semana a conferência para crianças de 06 a 14 anos com o objetivo de fazê-las pensar diferente, de maneira mais criativa. Um dos temas tratados para as crianças foi Sustentabilidade, conduzido de maneira lúdica e ao mesmo tempo prática. Por exemplo, em um dos dias eles tinham que entrevistar os adultos no horário do almoço fazendo a seguinte pergunta: “O que você faz no seu dia-a-dia pela saúde do planeta, além da reciclagem do seu lixo?”

Fiquei muito surpresa com esta pergunta vindo de alguém tão jovem, principalmente quando não fazemos muito mais do que reciclar o lixo. Em mim gerou um impacto tremendo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Empreendedorismo dentro de casa gera lucro para Algar

Fonte: Brasil Econômico

Empresa investiu R$ 1,7 milhão em 2009 em projetos propostos por funcionários. E prevê retorno de R$ 45,7 milhões

Santo de casa faz milagre sim. É o que garantem os especialistas quando se trata de intraempreendedorismo, atividade estimulada por algumas empresas para que os funcionários tenham condições de desenvolver e aplicar ideias de melhoria ao trabalho. Marcos Hashimoto, coordenador do centro de empreendedorismo do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), afirma que esse tipo de iniciativa deixou de ser exclusiva das empresas de tecnologia e informática. Setores como indústria e serviços também acolheram a ideia e viram a receita crescer. “Empresas que não dão valor aos seus empreendedores internos os perdem para a concorrência ou para um negócio próprio”, diz Hashimoto. O Algar, grupo que atua nas áreas de tecnologia, telecomunicação, agronegócios, serviços e turismo, está entre as que preferem aproveitar as inovações em vez de perdê-las. A empresa investiu R$ 1,7 milhão, em2009, na execução de 100 projetos elaborados por funcionários. E projeta um retorno financeiro de R$ 45,7 milhões em 12 meses para eles. “Nossa proposta é que o problema seja transformado em oportunidade, em inovação”, diz José Mauro Floriano, consultor em gestão de processos da Algar.
Apenas os projetos que comprovam resultados após a fase de testes recebem financiamento para serem colocados em prática. Consequentemente participam de uma mostra que acontece todo ano, sempre no mês de outubro. Um dos projetos implantados pela empresa foi da supervisora de educação Patrícia Fonseca, da universidade corporativa do grupo, a UniAlgar. Ela propôs uma mensuração de treinamentos e do seu retorno qualitativo e quantitativo. “Medir informação e conhecimento adquirido em cursos e workshops é um dos principais desafios da área de educação e esse foi meu agente motivador”, afirma. O projeto implantado na área de telecomunicações tem mostrado quais os cursos e treinamentos mais efetivos. O retorno financeiro para a equipe empreendedora pode ser de até 10% do resultado líquido financeiro obtido pelo projeto.

Reconhecimento
Programas dessa natureza são vistos de forma vantajosa por especialistas que acreditam que a gestão participativa gera resultados melhores. Para Caio Brisola, diretor executivo da Marcondes Consultoria, a ação cria identidade principalmente com a geração Y. “Eles (geração Y) são bem informados, plugados e cada vez mais querem contribuir e não apenas seguir o que é sugerido pelos chefes”, diz. Da mesma forma, quando chega o momento de implementar, o funcionário está muito mais disposto a colaborar com a mudança. “É uma forma de administrar bastante louvável que não predispõe que apenas meia dúzia de líderes sabem o que deve ser feito”, diz Brisola. O reconhecimento financeiro é um dos agentes motivadores da participação dos funcionários, mas é o reconhecimento profissional a razão principal da dedicação aos programas. “É um trabalho muito valorizado pelos acionistas e diretores do grupo, que coloca o funcionário em evidência”, diz Patrícia Fonseca, da UniAlgar. De acordo com Hashimoto, funcionários preferem a valorização profissional a uma promoção ou bônus. “Muitas empresas ainda acreditam que não vale a pena estimular programas de intraempreendedorismo porque não têm recursos financeiros para premiar. Mas o que os funcionários mais querem ganhar é visibilidade dentro da companhia”, afirma.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inovação Estratégica

Citação sobre Inovação: Inovação Estratégica

"Podemos dizer que a essência da inovação estratégica é a de questionar as crenças existentes e desafiar a lógica convencional. A inovação estratégica é uma nova mentalidade de pensar sobre estratégia. O objetivo é mudar o foco estratégico de derrotar a concorrência para conseguir vantagem competitiva através da diferenciação. Tal diferenciação pode ser conseguida através da criação de novos mercados , novos modelos de negócio, ou novo valor"

Peter Kreuz

domingo, 9 de maio de 2010

Construtoras criam sistemas para receber ideias

Fonte: Portal iG: Economia - Inovação

Empresas premiam melhores sugestões para aprimorar vendas e projetos imobiliários

A criatividade ganhou uma grande importância e incentivos maiores dentro das empresas imobiliárias. Com o objetivo de motivar os funcionários, clientes e até mesmo internautas a sugerir formas de aprimorar os negócios, estas empresas criaram sistemas de premiação para boas ideias. Embora tenham a mesma finalidade, as iniciativas não são homogêneas, ou seja cada empresa está inventando suas próprias ferramentas para estimular as novidades.

A Tecnisa foi a pioneira em reconhecer o potencial das mídias sociais. Para desenvolver o projeto de adequação dos seus empreendimentos a pessoas idosas, a construtora interagiu no Orkut com comunidades ligadas à terceira idade. Como resultado, a empresa recolheu 202 sugestões com os internautas, sendo que duas delas foram implementadas nos empreendimentos: a adaptação da escada da piscina e o uso de um piso emborrachado no banheiro. Os dois autores das ideias foram premiados com um vale-compras de R$ 1.500 na Lojas Americanas.

Ainda continuando a buscar inovação para seus negócios, a Tecnisa lançou um desafio em janeiro através da comunidade Battle of Concepts, rede social exclusiva para universitários e jovens com até 30 anos, com o objetivo de recolher sugestões. "Recebemos uma ideia muito boa, que vai revolucionar o conceito de sustentabilidade", afirma Romeo Busarello, diretor de internet da Tecnisa. Ele não pode divulgar a sugestão, mas afirma que o autor receberá um prêmio de R$ 5 mil. A Tecnisa vai distribuir R$ 13 mil em prêmios para os autores das dez melhores ideias.

A boa experiência nas chamadas plataformas de open innovation (sistemas em que as empresas abrem espaço para ideias para público externo) motivou a Tecnisa a lançar uma plataforma própria. O site Tecnisa Ideias entrará no ar na semana de 10 de Maio, e vai propor desafios aos internautas, com oferta de prêmios para as melhores propostas.

Outro exemplo que ampliou o canal para receber sugestões foi a construtora BKO. Há um mês, a empresa criou um departamento de inovação para concentrar a gestão de ideias. "Contratamos uma gerente para dar vazão às propostas de todos os colaboradores", afirma Joe Yaqub Khzouz, sócio da BKO. A escolhida foi Flávia Albo, vinda da equipe de inovação da Telefônica.

Diferente da Tecnisa, o foco da BKO é estimular os funcionários e colaboradores a sugerirem inovações. Para isso, Flávia vai fazer workshops sobre o tema a todos os 160 trabalhadores da empresa. Ela também criou uma ficha de ideias, que pode ser preenchida por qualquer integrante da equipe. Um comitê misto, com executivos e funcionários, foi montado para avaliar e selecionar as propostas. Cada etapa do processo acumula pontos, do projeto à implementação, que podem ser convertidos em prêmios como viagens ou notebooks.

"Em um mês, já tivemos 25 ideias", afirma Flávia. Uma das escolhidas e que está em fase de desenvolvimento foi sugestão de um funcionário novo. Trata-se de um sistema de milhagem, semelhante ao das empresas aéreas, para conceder pontos e descontos aos clientes prime, que compram imóveis com frequência.

A construtrora Even também valoriza a produção interna de ideias para seus empreendimentos. Existe uma etapa antes do lançamento de cada projeto que a empresa reúne todas as suas áreas para recolher as sugestões, afirma o gerente de incorporação da Even, Ricardo Grimone. Além disso, a Even dispõe de uma área de inteligência de mercado, que pesquisa as tendências do setor imobiliário e auxilia na criação de soluções inovadoras para atender estas perspectivas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Clusters de inovação

Um cluster de inovação pode ser definido como uma concentração de empresas interconectadas – incluindo fornecedores, provedores de serviços, universidades, associações de comércio – onde a proximidade entre elas agrega vantagens a todos pela concentração de uma expertise e recursos especializados.

O empreendedorismo é a competência chave dos clusters, pois permite o contínuo crescimento da inovação, comercialização de novas tecnologias, experimentação de novos modelos de negócios e desenvolvimento de novos mercados.

Clusters de inovação são caracterizados por possuir ativos móveis – como dinheiro, pessoas, informação, know-how e propriedade intelectual – que facilitam o surgimento rápido de inovações pela experimentação, formação de ventures e possivelmente o fracasso.

Talvez o cluster de inovação mais notável seja o Vale do Silício situado na Califórnia. As startups e pequenas empresas tecnológicas da “região incubadora” têm necessidades de especialistas como advogados, banqueiros, capitalistas de risco e consultores. Muitas das empresas estabelecidas na região emergiram de pequenas iniciativas empreendedoras. Isto também gera um ciclo virtuoso, pois os profissionais empreendedores que tiveram sucesso em algum momento se tornam investidores ou conselheiros de novos negócios na própria região.

O Brasil também tem iniciativas – ainda que incipientes – nesta direção. Empresas de base tecnológica circundam a região da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). O mercado para o desenvolvimento dessas empresas ainda é limitado principalmente porque as iniciativas de capital de risco para alavancar negócios em estágios iniciais são pouco desenvolvidas no país.

terça-feira, 30 de março de 2010

Inovação reversa

Na Exame online de 03 de março saiu a seguinte matéria: Dos pobres para os ricos

Empresas como GE e Microsoft invertem a lógica tradicional na qual a criação de novos produtos globais se concentrava apenas em países desenvolvidos. É a era da inovação reversa.

Entre os mais de 2 500 produtos lançados pela General Electric nos Estados Unidos no ano passado, poucos foram tão ansiosamente aguardados pelos executivos da companhia quanto o Mac 800, uma máquina de ultrassom cinzenta, compacta e nada charmosa, cujo design lembra um aparelho de fax. O interesse do alto escalão da GE pela máquina não se devia a seu visual absolutamente sem graça ou à tecnologia sem segredos, e sim à forma como ela foi desenvolvida. Entre as mais de 20 000 patentes registradas desde a fundação da companhia, em 1892, por Thomas Edison, essa foi a primeira a inverter o caminho tradicional da inovação. Por mais de um século, a GE se acostumou a espalhar pelo mundo as inovações criadas em seu centro de pesquisa localizado em Niskayuna, no estado de Nova York. O Mac 800, porém, trilhou um caminho radicalmente diferente. Criado em 2002 pela subsidiária chinesa da GE sob medida para o paupérrimo sistema de saúde do país, o aparelho passou agora a ser vendido no mercado americano como uma alternativa prática e barata para atendimentos de emergência em ambulâncias.

A inversão é tão simbólica que o indiano Vijay Govindarajan, consultor de inovação da GE e professor da escola de negócios Tuck, considerou-a o mais bem acabado exemplo de uma nova etapa da globalização — a era da "inovação reversa". Para Govindarajan, o modelo tradicional de inovação, no qual os países ricos criam produtos para vender aos pobres, funcionou bem numa época em que os mercados em desenvolvimento não eram tão atraentes. Como se sabe, o cenário mudou. O crescimento de Brasil, China e Índia e a recente crise internacional deixaram claro que hoje as maiores oportunidades estão nos mercados emergentes. O próximo passo na ascensão da importância desses países no xadrez global é criar produtos com potencial para se tornar sucesso em todo o planeta. "Os dias em que só os países ricos inovavam ficaram para trás", disse a EXAME Govindarajan, que deve lançar um livro sobre o tema em agosto nos Estados Unidos.

ALTERAR O FLUXO DA INOVAÇÃO é um trabalho complexo e caro. Um dos primeiros requisitos é investir pesado em centros de pesquisa locais. A GE construiu seus primeiros centros de inovação em mercados emergentes em 2000, na China e na Índia. Desde então, injetou quase 100 milhões de dólares por ano apenas na unidade chinesa, que hoje possui 14 000 cientistas (cerca de 38% da equipe de pesquisadores no mundo). O foco das pesquisas é a área de saúde, que se tornou especialmente promissora depois que o governo chinês anunciou investimentos de 123 bilhões de dólares na remodelação do setor no país. "Sem um time de pesquisadores locais, que entendam a dinâmica do mercado, fica muito difícil investir nos produtos certos", diz o brasileiro Marcelo Mosci, presidente da área de equipamentos médicos da GE na China. O próximo país a receber um centro de inovação é o Brasil. A construção vai começar ainda em 2010 e as atenções estarão voltadas para pesquisas nas áreas de energia eólica, gás natural e etanol. "Somos a aposta da companhia para encontrar soluções em energias alternativas que podem interessar também a outros países", diz Rafael Santana, presidente da área de energia da GE na América Latina.

A GE não é a única a perceber que o Brasil pode se tornar uma plataforma de exportação de inovações na área de energia. As americanas Delphi, fabricante de autopeças, e Agco, uma das líderes globais na produção de tratores e colheitadeiras, estão entre os adeptos da inovação reversa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Onde se estuda inovação de ponta?

Se você gosta de tecnologia um bom início pode ser buscar a Singularity University (SU). A instituição está situada no Vale do Silício e tem como objetivo educar e formar líderes que querem entender o desenvolvimento das tecnologias do futuro e atuar nos grandes desafios da humanidade.

A SU é uma parceria do Google, da NASA (International Space University) e ePlanet Ventures. Talvez por isso esteja sendo chamada de Universidade do Futuro.

A Universidade oferece programas para executivos e complementação acadêmica para estudantes de graduação. Atua em diferentes áreas que permitem aos estudantes traçar caminhos acadêmicos sempre voltados para o futuro: Biotecnologia, Nanotecnologia, Bioinformática, Neurociência, Robótica, Inteligência Artificial, Energia, Espaço, Computação, Empreendedorismo, entre outros.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Carsharing

Moro em São Paulo e há 2 meses decidi vender meu carro para andar de táxi.

IPVA, seguro, combustível, estacionamento e manutenção são os custos visíveis. Estresse, perda de tempo no trânsito, não poder atender ao telefone, medo de assalto são a parte invisível. Isso sem contar as multas, o risco de você bater em alguém e o dinheiro do carro que pode ser investido em algo mais interessante.

Nunca fui tão feliz em relação ao meu meio de transporte. Moro em uma região central onde há pelo menos uns 10 pontos de táxi a menos de 300 metros. O que eu ouvia no início era que eu era estranha e muito européia, que andar de táxi sai caro. Talvez as pessoas achem caro porque não fazem a conta.

Com certeza há casos em que o carro se faz necessário: quem tem filhos, quem mora longe ou em outra cidade, quem viaja todo fim de semana. Para quem não se encaixa nessas situações, eu recomendo fortemente andar a pé e de táxi. Para quem não se acostumaria a andar com alguém dirigindo para você (um luxo!), existe o carsharing.

Tenho certeza que em pouco tempo São Paulo vai contar com muitos serviços de carsharing – uma excelente alternativa para as grandes cidades principalmente quando unida aos meios de transporte coletivos como o metrô. Por enquanto, a única iniciativa que conheço em funcionamento em São Paulo é a ZazCar. http://www.zazcar.com.br/

Se você tem curiosidade em saber o custo do seu carro, acesse o blog do Henrique Bussacos. Há uma planilha bem simples e didática.

terça-feira, 23 de março de 2010

Empreendedorismo local e reconhecimento internacional

Ana Luiza Trajano é chef do Restaurante Brasil a Gosto, que fica no coração dos Jardins em São Paulo. O restaurante é brasileiro em todos os aspectos, dos ingredientes aos móveis, dos talheres às vestimentas dos funcionários.

Tudo é muito coerente, tudo está relacionado com tudo. É brasilidade em cada canto. Os clientes do restaurante têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a culinária de algumas regiões do Brasil com cardápios temáticos e exclusivos.

Antes de abrir o restaurante em 2005, Ana Luiza viajou pelo Brasil conhecendo e testando as receitas de todas as regiões brasileiras. A viagem deu origem ao livro “Brasil a Gosto” – um livro lindo com imagens sobre a culinária, os mercados e a cultura brasileira ao redor da mesa.

Ana Luiza é um exemplo do que é pensar grande sobre um conceito simples. Ela não ficou restrita ao seu restaurante. Este ano no evento The Cook Book Fair realizado em Paris, o livro estava concorrendo ao melhor livro do mundo na categoria Fotografia. E tirou o primeiríssimo lugar! Orgulho para Ana Luiza e orgulho para o Brasil. Empreendedores como ela ajudam a divulgar o Brasil fora com muito bom gosto e inovação, sem cair nos tradicionais samba e futebol.
Eu recomendo: http://www.brasilagosto.com.br/site/

quinta-feira, 18 de março de 2010

Inovação x Tradição: Onde deve parar a tradição para iniciar a inovação?

Após 5 dias na França é impossível para uma pessoa de Inovação não questionar a tradição a favor da Inovação. A cada esquina de Paris só se vê história, tudo lindo! Às margens do Rio Sena estão os monumentos mais lindos e que fazem parte da história mundial. Igreja Notre Dame, La Conciergerie, Saint Chapelle, Place dês Voges e a Torre Eiffel, como alguns dos exemplos.
Para uma cidade e um país que dependem do turismo – e isto inclui a tradição, a história e o passado – onde deveria estar o questionamento sobre o novo? As comidas, o metrô, a língua... tudo persiste por anos. E os franceses mais velhos insistem em não falar outra língua que não a sua. Nem o espanhol ou o inglês, mais mundialmente difundidos.
É claro, aqui não reside uma apologia ao esquecimento da história! Mas em algumas questões a França simplesmente não quer mudar. Como este país será em 100 anos? Eu me arrisco a dizer que será exatamente igual. Com pequenas diferenças: as lojas da Champs Elysees deverão ser as lojas da moda em 100 anos. Até o McDonald’s francês é menos americanizado que de outros países, como o do Brasil. Parece que a cultura procura resistir aos novos tempos.
Imagina falar em uma empresa francesa que ela deve inovar. Se em uma empresa brasileira isto já constitui um desafio – e a cultura brasileira se adapta facilmente às diferentes situações, imagina em um cultura que o novo não está no dia-a-dia.
E se aqui se permite um paralelo bem grosseiro, vamos pensar que a eficiência de um país é diretamente proporcional à sua capacidade de inovar. O trânsito de Paris é lento, para almoçar nunca será menos que 90 minutos, quem não fala francês muitas vezes terá que se comunicar por mímicas, as lojas de ruas famosas (em um fim de semana que a cidade está cheia) ficam fechadas aos domingos. São Paulo, Nova York são cidades um pouco mais atentas a estes detalhes e talvez às oportunidades.
Nunca fiz negócios com os franceses e acho que temos que respeitar as particularidades de cada cultura, mas não consigo imaginar o presidente de uma multinacional francesa requisitando aos seus funcionários que sejam inovadores.